domingo, 18 de setembro de 2011

Retroceder

   De tantos modos ditos,outras tantas coisas feitas,tudo que um dia eu vi e até hoje sinto falta,nem todos os beijos roubados ou corações conquistados substituiriam teus versos que em meu fim me trazem paz,tantas saudades dos teus olhos de menina doce,você nunca os perdeu nem mesmo com a idade,e eu já nem sei se todo esse sol,som ou movimento valem a pena,não acho mais que avançar seja algo tão certo quanto antes,enquanto olho as fotos de 40 anos atrás,ironicamente,me sinto jovem outra vez,as vezes sou um livro,aberto lembrando de tudo,outras vezes me fecho e me acomodo na minha prateleira,nem mesmo a mobília me perdoa e eu quero mesmo é partir logo daqui,"coisa mais sem graça esse mundo sem minha pequena",os pássaros mesmo,que outro dia eram tão lindos e admiráveis incomodam minhas tardes,sorrir é sem sentido,ficar assim preso no tempo é o meu único caminho,mas melhor mesmo seria voltar,voltar e fazer tudo outra vez do mesmo jeitinho,dizendo as mesmas palavras,cometendo os mesmos erros,confessando os mesmos segredos,dormindo cada noite novamente ao teu lado.Tão solitário esse jardim sem você,tenho que te contar,os dias sem sua presença aqui na terra são de fato o apocalipse e eu já questiono nosso companheiro de idade."Por qual motivo me deixastes aqui senhor Deus?Que brincadeira de mal gosto meu filho!Tô com saudades do meu amor,se não vai me levar ao menos me deixe retroceder".

terça-feira, 13 de setembro de 2011

"Humano parcial"

   A minha indelicadeza não é algo pra se discutir,já que,hora ou outra eu me reviro em facetas sentimentais tão inconstantes que nem sei ao certo quem de fato sou ou o que realmente penso.Indiferença eu já cultivei demais,consequências reais é no que elas resultam no final,nunca fui muito de me magoar por coisas já esperadas,sempre achei isso um pouco errado,mas não sei mudar esse fato,nem tão pouco me alegrar por coisas que julgo sem explicação.A minha incompetência em entender os outros ao meu redor é tão notada que minha sociedade torna-se cada vez mais distante,cada ser corresponde perfeita e exclusivamente apenas a sua função que lhe foi designada e nada mais é necessário,nem mesmo uma palavra.É impressionante como tudo ao redor parece tão vivo e ao mesmo tempo tão morto,tão colorido e cru,cheio de fragrâncias e ao mesmo tempo neutro ao mais aguçado dos paladares e o mundo se mostra de uma forma tão dispersa,tão distante que parece até certo pensar um pouco no próximo,mas o próprio está tão longe de um contato.E assim eu vou,mas não vou sozinho,na ilusão de um peito aberto,sem nem ao menos saber se sou um dos poucos ou se sou mais um no meio de tantos outros errantes,logo eu que me achava tão humano quanto você.