sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Coração


    Todo mundo tem, algumas pessoas ganham o dos outros, outros perdem. Uns dizem que é um músculo, mas na verdade é uma bomba, muitas vezes é ligado ao sentimentalismo e mais vezes ainda bate acelerado quando percebe tal pessoa vindo, ah coração, usado como apelido muito bem visto. Tem de todo jeito, forte, fraco, mole ou duro, esse ultimo particularmente é assemelhado com uma pedra, porem pulsa como todos os outros e por incrível que pareça é o mais delicado, pois protege-se com essa imagem. Verdadeiramente o meu é um louco vez ou outra fica fora de si e só cessa quando concedo seus desejos, é um mimado, acostumado com vontades feitas e eu pobre inocente só posso obedecê-lo, é um conquistador barato, com honra escolhe sua dama e carrega com si, somente uma, é um rapaz coerente esse coração.
   Como pode eu não sei, mas ele me entrega por completo, posso até imaginá-lo a sorrir quando faço algo vergonhoso por puro capricho dele. Não bastando me expor assim me leva a lugares onde nunca estive, me causando estranho contentamento, descontrolado como sempre também é generoso e realiza meus sonhos, ha coração, valioso cuidadoso, doente, esperançoso, romântico, honesto.
   Valioso é pouco para um negocio tão lucrativo, não falo em termos de luxo, mas de contentamento, os corações são eternos, ecoam no tempo, contam histórias, e como são fofoqueiros também, contam todos os segredos a quem sabe ouvi-los. Deixam marcas entre si e saem a bater felizes por ai. Quando param, arrancam lágrimas do outros, use o seu, seja escravo do seu coração, deixe-o te levar por ai, antes que ela decida parar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

3 em 1


   
E a primeira tapa já estalava com força no rosto dele, ela continuava gritando e ele ainda com aquele sorriso indiscreto no canto da boca, isso deixava ela louca ocasionando mais um acesso de fúria, agora eram diversos tapas, não se sabe se as causas eram justas ou não, certas ou erradas, não se sabe. Ele se articulava todo,se justificava,mas não perdia o velho sorriso,parecia que ele compreendia algo a mais,como se soubesse de algo que ela nem imaginava.Ela se erguia imperativa com sua mente conturbada e seus braços agressivos,enlouquecida por aquele sorriso,ao mesmo tempo em que queria bater,desejava ter.Ouviu-se agora um grito de puro ódio,depois o silêncio do amor,ela tentou bater,ele esquivou-se,ela gritou e tentou sair,ele a segurou firme e agora era dono de uma expressão seria,ela o olhou ainda com raiva,porém embriagada de desejos,confusa tentou fugir novamente e ele outra vez a segurava forte,agora bem mais próxima dele,quase abraçados,ai vem aquele beijo meio roubado,meio resistente,mas nenhum dos dois queria parar,e o local estava silencioso,eles se olhavam,ambos incompreendidos por eles próprios,ele voltava a sorrir,ela se envergonhava mas logo lhe beijava ferozmente.Os gritos deram lugar aos sussurros,os tapas continuavam,mas agora eram carinhosos,e também havia beliscões leves,e mordidas,e arranhões e caricias e mais caricias,agora já existiam risadas,e beijos tranqüilos,mas como quem cansa de descansar,eles se detestam de repente,ele sorri,ela grita.Assim são felizes sem saber e continuam suas vidas encharcadas de puro desejo,amor e ódio,combinação perfeita de 3 elementos em 1 relacionamento.De repente outro tapa...

Erro clássico


   Não muito tempo atrás “ele” conheceu uma pessoa, ”ela” lhe disse tudo com apenas um olhar despercebido, ninguém notou. Há pouco tempo atrás não teria dito nada, mas seus olhos nunca souberam mentir, porem sua boca não tem coragem de confessar o que se passa em sua mente, queria que desvendassem seus mistérios, desejava que “ele” desvendasse. Um detetive nato, no exato momento soube o que significava aquilo, sem fé preferiu não acreditar, nem se interessava tanto por “ela”, por não confiar mais em ninguém quis aventurar-se em uma paixão.
   Por um breve momento aquilo funcionou perfeitamente, havia sorrisos, eram todos certos de que longos anos se passariam com destreza e felicidade, mas não é possível conviver com uma farsa. ”Ele”, já conseguira o que queria só que aventura sempre tem fim e diferente do que se imagina, não é um final feliz. “Ela”, satisfeita com a situação poderia muito bem sorrir sem alguém, pois já tinha sido desvendada e nada mais importava, apenas desejava sentir uma nova emoção e então caíram lágrimas de ambos os olhares que nem sabiam mais o que expressar, ou ao menos tentar.
   O inverno passou, as marcas foram inevitáveis, as lembranças tornaram-se eternas, ”ele” e seus braços buscaram outras a quem segurar, “ela” e suas emoções preferiram outros a quem pudessem se expressar. Os dois seguem distantes e ainda existem sorrisos, a diferença é que hoje são mais honestos. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Futuro próximo.



   A beira de um colapso nervoso, estamos nós. Jovens espirituosos, cheios de ideias, mas sem força de reação, felizmente infelizes, sem nexos, fartos de cicatrizes e citações. Só temos uns aos outros, mas isso já nos basta, reclamamos por não termos mais do que possuímos, porem sabemos que não precisamos e por isso não queremos mais nada de tudo isso. É que nos formamos em vida vadia,onde não se recebe diplomas,mas sim histórias pra contar para os netinhos e futuras boas lembranças,logo ali virando a esquina,está tudo e todo o resto do nada que não nos serve,por isso não saímos daqui ainda,embora isso seja a mais pura verdade,não justificamos os nossos atos aos fatos,nada de muita aspereza só um pouco de destreza com a vida.
   Sempre juntos ainda que separados pela proximidade da nova vida,se há uma coisa que não se pode fugir é o que já acontece agora,por mais que nós façamos nosso próprio caminho,não podemos simplesmente virar a esquerda ou à direita e ir,simplesmente não podemos.O que faríamos sem nossas companhias,parte de nós,parentes próximos de outras vidas?
   Ora meus amigos,confesso aqui que não seria nada sem vocês,porem nada sou hoje,e sempre seremos isso,o próprio nada que se pode encontrar em qualquer lugar,uns acham desnecessárias de minha parte estas palavras,pois isto é apenas o que fica subentendido e que por ironia hoje já não se compreende.Esperanças de que o certo venha a todos,isso nunca existiu entre nós e nem vai existir,não precisamos de palavras “corretas” quando somos os ”errados”,meus jovens e futuros velhos amigos,sou grato pelo tempo vivido ao lado de cada um de vos.Uma longa estrada nos espera em algum lugar da nossa própria galáxia,sempre em posto de combate,cabeça pesada da vida pensada,os espero aqui,para continuarmos nossos debates filosóficos que sempre acabam em teorias que não saem da mesa para o resto do mundo,mas permanecem estáticas em nossas mentes.

PS. Estou no bar,hoje é por minha conta,inventa qualquer desculpa pra família,é por justa causa meu amigo.Após ler isso queime imediatamente e corre pra cá!

Todo o tempo...



    Todo o tempo é insuficiente,hoje ele é todo um nada,sempre te digo com palavras ou não,todo tempo sem você é uma tortura e não importa o que eu faça ele se recusa a passar,eu me reviro,insisto,morro,vivo,corro pra longe,volto cansado,me jogo no mundo,saio a procurar por você em todo lugar,mas só o tempo se faz presente.Eu deito na cama,essa maldita música ainda toca,sem parar,eu me desespero,faço coisas sem sentido,ando pela casa sem propósito,visito amigos,faço minhas coisas,mas todo o tempo me enoja,quero distância disso.Eu não quero todo o tempo,prefiro somente o que eu e você nos fazemos presentes, aqui,onde não há nada para se preocupar,onde não existem limites para o que se quer fazer,onde o tempo não existe.Sempre não é a palavra certa para isso,talvez não exista palavra certa,eu me sento na velha cadeira em nossa sala,me projeto no futuro,imagino tudo,materializo cada mancha no estofado,cada marca nas paredes,as janelas,as portas,tudo.Você entra e me beija,o tempo enfim para,fica tudo estático,nada se move,eu já não estou com você,agora me fazem perguntas as quais respondo de forma maquinal,a terra gira,o tempo corre,maldito tempo.
   Observo os olhares que me seguem,me incomodam,me fazem querer sair daqui,me julgam,me fazem mal,me revolto,mas não param e não há nada que eu possa fazer,as palavras ferem os sentimentos alheios onde eu estou e tudo fica muito amargo,o tempo todo.Me confundo,me agito,acabo indo direto até a você,mas volto de repente para esse inferno com mistura de paraíso e uma pitada de prisão chamada de vida,me enfraqueço diante de todo esse tempo que ainda se faz irônico a sorrir ao meu lado,é isso que me acontece sempre.E não existe chuva,não existe sol,não há conversa com amigos,nem tardes com filmes na TV,nem outras direções que me atraiam mais do que você e suas palavras,ações,mais que seus olhares,tremores corporais e eu bobo ou como quiser ver,me vejo nisso,todo esse tempo e digo novamente,talvez por uma terceira vez,eu já nem sei,eu quero apenas esse tempo,onde estou ao seu lado,sem pensar em nada,até o tempo parar de correr e me dar um descanso justo.
   Nem sei mais onde me encontrar,estou confusamente certo de que me perdi em algum lugar disso tudo,curiosamente me encontro logo ali,quando consigo dormir,não estou consciente do que faço,mas estou com você,em você,em algum lugar desses sinais,é exatamente onde estou todo o tempo,todo,tudo isso,sempre assim,desde antes do inicio de tudo,bem antes de todas as conversas na madrugada,muito além do que um dia se pode imaginar,todo esse tempo,eu fui,eu sou,eu serei apenas isso,uma parte do teu tempo,um todo de todo o tempo...

Momentaneamente correto.


      
   Naquele momento que fica tudo suspenso no ar e você nem percebe a gravidade ao seu redor,este momento,tente compreende-lo,olhe além do que está vendo,quando fica tudo estático,aparentemente pacifico e normal,fixe isso em você,sinta intensamente,por favor,apenas sinta,nem ouse pensar em outra coisa,use seus sentidos para este momento,esqueça,todo o resto não lhe serve mais,deixe tudo passar por você bem rápido,mais rápido,agora devagar,lentamente deixe entrar,devagar,sinta o calor,deseje o frio,um pouco mais,agora deixe ir.Este instante que lhe passou,ele não volta mais e não adianta se perguntar onde está,onde foi parar aquele sorriso ou onde caiu aquela lágrima,onde você deixou seu grande amor,em que lugar desse universo deixou aquele sentimento tão frio,quando isso aconteceu,não adianta.
   Tudo se foi e as vezes demora para perceber que tudo isso é único demais para ser tão comum,mas você esqueceu algo importante para dizer,ou fazer,não lembrou de ir na casa dela aquela noite,ela não o viu esta manhã,pretendia contar tudo hoje,ontem era muito covarde,o passado não volta para se concertar ele vem para atormentar ou confortar e o futuro é uma grande farsa,não se pode construí-lo,nem projetá-lo,ele é apenas uma teoria absurda que depende da sua fé,já o presente,é a falha do tempo,é o momento que você deve sentir dentro de você,aproveite esta falha do senhor tempo,ela não dura por muito.Quando nem se imagina quem vem ali,quando ainda não se vê nada além da escuridão ou naquele instante em que os lábios estão tão próximos que o mundo para de girar,aproveite o sorriso sem sentido,as mãos tremulas,os olhares perdidos,respire fundo,segure o máximo que poder,depois solte tudo.
   Deixe flutuar na sua frente por alguns segundos e depois sopre-o para longe,até onde o horizonte parece acabar,mas não se esqueça,recomponha-se rápido,outro instante já esta vindo ai,aproveite-o.